Domingo, 9 de Novembro de 2008

Saber rir.

(não se autoriza a reprodução desta imagem)
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Viver a experiência de ter um filho com «necessidades especiais» (como fica bem dizer hoje) pode ser desesperante e até, para alguns, uma infelicidade.
Não digo que seja fácil. Não é. É, sobretudo, muito desgastante. Afinal, por muito cruo que seja dizê-lo, quem mais «sofre» e tem de enfrentar as adversidades e dificuldades da deficiência são as famílias (v. g. pais e irmãos); os portadoras de algum tipo de deficiência são, em geral, felizes, assim tenham as suas necessidades básicas (de saúde, afecto, segurança, alimentação, higiene...) supridas (e isto é tanto mais verdadeiro quanto, infelizmente, maiores forem os défices cognitivos associados).
Mas, ao mesmo tempo, é uma lição de vida: obriga-nos a relativizar muita coisa, a reorganizarmo-nos (a nível pessoal, profissional, financeiro e social), a aprendermos a ser pacientes, humildes… enfim, a crescermos como Pessoas.
E de repente começamos a perceber que o filho diferente nos mostra que diferente deve ser a forma como encaramos a vida, como nos damos aos outros, como apreciamos cada conquista que ele vai fazendo e, sim, como apreciamos cada passo que nós próprios vamos dando neste caminho difícil que é amar.
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Ainda hoje tenho de lhe agarrar o pé, se quero fechar os olhos na praia, suspirei para mim própria, enquanto mostrava esta fotografia. E, no mesmo instante, vi a minha reguila e gozona menina em animada brincadeira com outro reguila e gozão menino, gargalhadas felizes passarinhando pela casa.
Sorri.
A minha pirata-reguila-gozona-charmosa não diz frases impressionantes nem faz, aparentemente, coisas espantosas.
Mas sabe rir, que é coisa que nem todos, surpreendentemente, sabem fazer...

8 comentário/s:

Luísa disse...

Imagino que tem toda a razão, querida Fugidia. O espírito infantil tem a enorme vantagem de não antecipar futuros, nem recordar passados, o que deve reduzir significativamente as angústias e as melancolias da vida. :-)

JúliaML disse...

nada é fácil, Fugi..Deus dá a cada um a sua cruz , dizem que à medida de cada um.
compete-nos extrair dela algo de bom.
haverá algo mais lindo do que um sorriso inocente?

ana v. disse...

Querida Fugi, ainda bem que essa pirata-reguila-gozona-charmosa com necessidades especiais a tem a si como mãe... nem todos os outros como ela tiveram essa sorte.

Um beijinho também especial. :-)

fugidia disse...

Luísa,
é uma verdade o que diz.
Mas não deixa de me impressionar a incapacidade que alguns adultos têm de se rirem (falo daqueles que, em meu entender, naturalmente, não têm angústias/melancolias bastantes para não o fazerem).
:-)

***
Júlia, não falo de cruz!
Nem de nada que se assemelhe.
Falo da alegria que é ouvir gargalhadas a ecoar pela casa e do que vou ganhando e aprendendo nesta vida à conta desta (e da outra) anjinha reguila.
:-)


***
Ana, nops; a sorte é minha, de ter as filhas que tenho :-)
Beijinho.

Mike disse...

Sabe rir, Fugidia? Então deixe lá essas frases fantásticas e coisas mirabolantes que todas as mãezinhas gostam de propagandear sobre os filhos. :-)

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Figi,
rir é difícil quando nos levamos demasiado a sério, a menos que seja do outro. E na dificuldade do primeiro termo, como na boçalidade do segundo, residem as raízes da infelicidade contemporânea.
Beijinho

fugidia disse...

Mike, :-)

fugidia disse...

Tem razão, PauloCP.
Um beijinho :-)